
Sempre acompanhado de uma lista repleta de propostas e propósitos, ingenuamente aventurando inclusive colocá-las em ordem de prioridades para a sua realização, alimentando a ilusão de que nós escolhemos os projetos e as propostas de acordo com os nossos propósitos. Contudo com um pouco de vivência e percepção rapidamente pude concluir que são as propostas que nos escolhem e nos apresentam algum propósito.
Lembro do dia que escrevi o primeiro tratamento do roteiro, que saiu como um vômito involuntário. Ao meu lado havia um sanduíche com queijo e tomates frescos e um copo de suco que não lembro o sabor. Apesar de vistosos, tiveram de esperar o cumprimento daquele ciclo de criação para só então, após o termino completo da saga de Junca, serem degustados. Embora já totalmente familiarizado com a era digitar, neste dia preferi escrever com um papel e uma caneta mesmo, pois acho que assim a transmissão de energia é mais bem projetada.
Após algum tempo, digitalizei e enviei o roteiro, que até então se chamava Cadarço, para uma oficina de roteiro no Rio, chamada de projeto Sal Grosso, que é um projeto bem bacana realizado pelo FBCU (Festival brasileiro de cinema universitário). Lá fui eu nessa empreitada interessantíssima e muito proveitosa. Contudo, apenas um projeto seria contemplado e Cadarço não saiu vitorioso nesta jornada… Foi ai que surgiu a crise com o projeto e resolvi não levá-lo à diante naquele momento e colocá-lo em minha lista de espera em uma posição não muito confortável.
Algum tempo se passou, para ser mais exato, 4 anos se passaram e, de repente, comecei a falar novamente deste roteiro para alguns amigos e para a minha namorada, Roberta, que teve a brilhante idéia de dar ao filme o nome de Olho de Boi.
Com este novo nome, comecei a me animar mas, ainda assim, de leve. A coisa começou a tomar corpo mesmo durante um encontro com dois grandes pensadores e grandes amigos que tenho satisfação em conhecer e poder compartilhar de conversas. São eles: Socrátes Santana e Ismael Teixeira que eu gosto de chamar de Isma Trincheira.
Tomávamos uma cerveja descontraída em meio a um projeto de documentário, quando comentei a respeito do edital e do projeto de Olho de Boi, Sócrates e Ismael prontamente toparam e em pouco tempo desenvolveram uma belíssima justificativa para o projeto que, em conseqüência dessa união, foi contemplado pelo Edital de curta infanto-juvenil de 2007.
Alegria profunda, Viva Jesus! Eu havia sido escolhido por aquele projeto que eu colocava numa posição sem destaque, por achar aquele enredo muito simples e agora ele começava a encher a minha vida de propósitos.
Muita ansiedade e algum longo tempo depois, a verba finalmente chegou e para iniciar este processo tão prazeroso mas tão complicado, logo convidei Sheila Gomes, uma grande guerreira que tem me dado uma apoio incondicional que me deixa muito seguro de todo o processo. Em seguida me pus a pensar em quais pessoas iriam compor esta equipe tão importante para mim. O critério mais importante sempre foi o bom coração, o desejo de estar no projeto e a competência necessária para realizar as funções.
Logo convidei meu grande camarada Matheus Vianna, uma cara que certamente é parceiro de vidas passada, nossa afinidade em tão pouco tempo foi muito gratificante para mim. Sou muito grato a ele pela grande força e empenho que dedicou a este projeto. Para fazer a fotografia,uma nome era certo, Pedro Semanovisck, o Pedrinho, um cara fantástico que logo na primeira conversa lá no Tom do Sabor, já deixou claro seu interesse em participar e somar ao projeto. Fiquei muito feliz quando ele aceitou o convite. Para a maquinaria, não podia ter outro nome a não ser o de Jucelino, grande brother que trabalhou comigo no clipe da banda Canto dos Malditos e logo em seqüência na campanha. Jussa e toda sua equipe, Muquito e os demais, tem meu respeito e minha admiração.
Para o Platô, o cara que há muitos trabalhos vem sendo meu braço direito e que é meu irmãozão mesmo, esse é da família, sei que tá comigo pro que der e vier, Inailton, o homem que cativa a todos com quem trabalha. Junto com Iná tem meu grande camarada Zé Rodriguez que também já esteve comigo também em outras empreitadas.
Em uma noite agitada no Rio Vermelho, onde eu e Roberta estávamos passeando sozinhos, ao passar pela porta do Extudo, lá estavam um casal de artistas, Caroline Paternostro e André Cruz, fomos convidados a sentar e durante o bate papo, vi que ali estavam mais dois integrantes deste filme. Carol para ser produtora de Elenco e André para ser o diretor de Arte. Não tenho dúvida alguma de que esta escolha foi totalmente acertada, visto que ambos colaram no projeto de corpo e alma.
Através de André, novos integrantes surgiram, Jú Japa para cuidar do figurino e Sandra Leite para cuidar dos objetos, que são duas pessoas muito bacanas que estão fazendo um ótimo trabalho e se enquadram perfeitamente no perfil da equipe.
Durante o seminário de Cinema surge o nome do meu brother Mauricio Fontoura para a produção de base, nem hesitei, achei massa, Mau Mau é parceiro da Cavalo e sempre tá colado.
De Uberlândia vem um grande amigo de longa data e de muitas aventuras, Andrigo de Lázaro, um militante do cinema e grande realizador que sempre me apoiou em diversos projetos e não poderia ser diferente neste, fico orgulhoso de tê-lo na equipe.
Como Olho de Boi é um solo muito fértil, todos que estavam envolvidos no processo começaram a receber outras importantes oportunidades de trabalho e alguns guerreiros tiveram de ir viver outras batalhas e ceder espaço para novos integrantes que chegaram com força total para uma substituição à altura. Jamile Fortunato entrou no lugar de Matheus como assistente de direção e Thiago Pilloni substituiu Mauricio na produção. Duas pessoas que estão somando bastante ao processo e que já estão completamente inseridos no universo do curta.
Nos preparamos para a batalha residindo no forte do barbalho onde importantes decisões foram tomadas e os planos e estratégias foram traçados. Para ter sucesso nessa trajetória, buscamos alguns aliados e a produtora Movimento é a nossa maior parceira. Nas pessoas de Zé Carlos, Wagner Angelin e Bruno Rodrigues, a Movimento tem colaborado de forma fundamental e direta para a realização do filme, tornando-se assim co-produtora junto a Cavalo do Cão Filmes. Sejam bem vindos meus amigos e que esta seja apena a primeira de muitas parcerias.
Assim encerro minha primeira reflexão sobre este processo que para mim é totalmente existencial e cumpre um propósito fundamental em minha vida, que é a geração de um proveitoso legado. Logo escreverei mais sobre o filme em si e sobre os personagens.
Haja luz que tá na boa, pode crê e vamos nessa!
Diego Lisboa