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O interior de um casebre, localizado na comunidade do Bate-Facho, no bairro do Imbui, reuniu ontem (10), numa tarde de terça-feira, a experiência do ator mirim, Adailson Dias, 11 anos (O Homem que não dormia) e a atitude do estreante das telonas, o compositor e cantor baiano, Carlinhos Brown, 47 anos. A locação faz parte do cenário do filme Olho de Boi, dirigido pelo jovem cineasta, Diego Lisboa.

DSC03889 (Large)Conforme prometido ao diretor do curta-metragem, Brown apareceu na locação, caracterizado por uma longa barba grisalha. Por quatro horas ininterruptas, das 15h às 19h, Carlito Marrón incorporou o personagem Abdal, que corresponde à figura lendária de um Preto Velho. Numa entrevista gravada para o making off, Brown brincou com o diretor Diego Lisboa: “Se sou Preto Velho ou não, depende de quem acredita”.

Em contrapartida, Diego Lisboa demonstrou ao ator estreante, a satisfação com o resultado final das cenas dirigidas naquela tarde, especialmente, em relação ao rendimento de Brown. “A agenda de Carlinhos era uma interrogação. Por conta disso, rodamos primeiro com outro ator, o Claudio Niack, excepcional. Mas, apesar de acreditar que Carlinhos se sairia bem, confesso que ele superou qualquer tipo de expectativa. Ou seja: era como se Carlinhos não estivesse interpretando um Preto Velho”. Não precisa nem comentar.

Quem pode conferir as gravações com Brown, constatou que não houve qualquer exagero por parte do diretor de Olho de Boi. Brown impregnou cada frase do dialogo entre o Preto Velho e o menino Junca, de simbologias e pausas de um dialeto próprio, de quem conhece as vivencias das religiões de matrizes africanas. Enquanto compositor, vai criar a trilha sonora do filme.

Entre os dias 21 e 25 de outubro, terminou a primeira fase de gravação do curta-metragem. Na terça-feira (10), foi armado um set de filmagem especial para Brown,envolvendo 42 profissionais, entre eles, o diretor de fotografia, Pedro Semanovschi, a produtora geral, Sheila Gomes e a produtora de elenco, Caroline Paternostro.

O filme será finalizado em dezembro pela produtora Cavalo do Cão, tendo exibição prevista para o primeiro trimestre de 2010. Para quem não conhece o trabalho do cineasta Diego Lisboa, vale a pena conferir no XIII Festival Nacional 5 Minutos, os curtas, Escuridão e Aurélio. Se a curiosidade for maior basta acessar: http://www.youtube.com/watch?v=PK0c8c_U5SQ ou http://www.youtube.com/watch?v=n9qoceE-mXk

Carlinhos Brown visita Bate-Facho

Nesta terça-feira (9), às 14h, a comunidade do Bate-Facho, próxima ao bairro do Imbuí, recebe uma visita ilustre: o compositor baiano Carlinhos Brown. Ao lado do precoce ator, Adailson Dias, 11 anos, que já atuou em dois longas-metragens, O Homem que não dormia (Edgar Navarro) e O Trampolim do Forte (João Rodrigo), Carlito Marróngrava uma das cenas do curta infanto-juvenil, Olho de Boi, dirigido pelo jovem cineasta, Diego Lisboa.
O curta-metragem narra uma espécie de parábola sobre fé, imaginação e inocência creditada apenas às crianças. Brown vive o personagem Preto-Velho, um ancião pouco visto, morador de uma casa misteriosa, principalmente, ao fértil universo infantil. Segundo o diretor do curta, Brown prometeu aparecer em cena com uma barba bastante grisalha. Já o protagonista do filme, Adailson Dias, vive o inocente Junca, que diante de uma situação de perigo, recorre aos ensinamentos do personagem vivido por Brown para se safar dos garotos da rua que o perseguem por conta de um sapato.
Também fazem parte do elenco os atores e atrizes, Erico Braz, Claudia de Moura, Claudio Niack e Jorge Dragão. O filme é financiado pelo Ministério da Cultura por intermédio de edital de 2007 voltado para curtas infanto-juvenis, de duração de 14 minutos. O diretor Diego Lisboa também tem dois filmes selecionados para a categoria competitiva do XIII Festival Nacional 5 Minutos. São eles: Escuridão e Aurélio.

Começam as filmagens

Depois de uma semana de preparação de elenco aqui no Forte do Barbalho com o preparador Vitório Emanuel os atores já demonstram maior intimidade com o roteiro. No último sábado, (17), tivemos o último ensaio antes da filmagem no próprio local, no Bate-facho, com a presença dos atores na escola onde acontecerá uma de nossas tomadas. O filme começou a ser rodado ontem (21), e terminaremos no domingo (25). Todas as locações já foram acertadas e agora falta entrarmos com os objetos de cena e alguns ajustes de pintura para deixar tudo mais caracterizado.

Todo Mundo

Todas as casas que usaremos receberão poucos ajustes, pois, o que se busca no filme é retratar a realidade dos moradores. No figurino, nos teremos muitas interferências lúdicas para entrar na imaginação de Junca, como nariz de palhaço, barba de sisal, roupa de papai Noel, sombrinha de gueixa, maquiagem onírica, entre outros. Muitos brinquedos foram doados e serão utilizados nas cenas com as crianças do bairro.

Proposta e propósito

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Sempre acompanhado de uma lista repleta de propostas e propósitos, ingenuamente aventurando inclusive colocá-las em ordem de prioridades para a sua realização, alimentando a ilusão de que nós escolhemos os projetos e as propostas de acordo com os nossos propósitos. Contudo com um pouco de vivência e percepção rapidamente pude concluir que são as propostas que nos escolhem e nos apresentam algum propósito.

Lembro do dia que escrevi o primeiro tratamento do roteiro, que saiu como um vômito involuntário. Ao meu lado havia um sanduíche com queijo e tomates frescos e um copo de suco que não lembro o sabor. Apesar de vistosos, tiveram de esperar o cumprimento daquele ciclo de criação para só então, após o termino completo da saga de Junca, serem degustados. Embora já totalmente familiarizado com a era digitar, neste dia preferi escrever com um papel e uma caneta mesmo, pois acho que assim a transmissão de energia é mais bem projetada.

Após algum tempo, digitalizei e enviei o roteiro, que até então se chamava Cadarço, para uma oficina de roteiro no Rio, chamada de projeto Sal Grosso, que é um projeto bem bacana realizado pelo FBCU (Festival brasileiro de cinema universitário). Lá fui eu nessa empreitada interessantíssima e muito proveitosa. Contudo, apenas um projeto seria contemplado e Cadarço não saiu vitorioso nesta jornada… Foi ai que surgiu a crise com o projeto e resolvi não levá-lo à diante naquele momento e colocá-lo em minha lista de espera em uma posição não muito confortável.

Algum tempo se passou, para ser mais exato, 4 anos se passaram e, de repente, comecei a falar novamente deste roteiro para alguns amigos e para a minha namorada, Roberta, que teve a brilhante idéia de dar ao filme o nome de Olho de Boi.

Com este novo nome, comecei a me animar mas, ainda assim, de leve. A coisa começou a tomar corpo mesmo durante um encontro com dois grandes pensadores e grandes amigos que tenho satisfação em conhecer e poder compartilhar de conversas. São eles: Socrátes Santana e Ismael Teixeira que eu gosto de chamar de Isma Trincheira.

Tomávamos uma cerveja descontraída em meio a um projeto de documentário, quando comentei a respeito do edital e do projeto de Olho de Boi, Sócrates e Ismael prontamente toparam e em pouco tempo desenvolveram uma belíssima justificativa para o projeto que, em conseqüência dessa união, foi contemplado pelo Edital de curta infanto-juvenil de 2007.

Alegria profunda, Viva Jesus! Eu havia sido escolhido por aquele projeto que eu colocava numa posição sem destaque, por achar aquele enredo muito simples e agora ele começava a encher a minha vida de propósitos.

Muita ansiedade e algum longo tempo depois, a verba finalmente chegou e para iniciar este processo tão prazeroso mas tão complicado, logo convidei Sheila Gomes, uma grande guerreira que tem me dado uma apoio incondicional que me deixa muito seguro de todo o processo. Em seguida me pus a pensar em quais pessoas iriam compor esta equipe tão importante para mim. O critério mais importante sempre foi o bom coração, o desejo de estar no projeto e a competência necessária para realizar as funções.

Logo convidei meu grande camarada Matheus Vianna, uma cara que certamente é parceiro de vidas passada, nossa afinidade em tão pouco tempo foi muito gratificante para mim. Sou muito grato a ele pela grande força e empenho que dedicou a este projeto. Para fazer a fotografia,uma nome era certo, Pedro Semanovisck, o Pedrinho, um cara fantástico que logo na primeira conversa lá no Tom do Sabor, já deixou claro seu interesse em participar e somar ao projeto. Fiquei muito feliz quando ele aceitou o convite. Para a maquinaria, não podia ter outro nome a não ser o de Jucelino, grande brother que trabalhou comigo no clipe da banda Canto dos Malditos e logo em seqüência na campanha. Jussa e toda sua equipe, Muquito e os demais, tem meu respeito e minha admiração.

Para o Platô, o cara que há muitos trabalhos vem sendo meu braço direito e que é meu irmãozão mesmo, esse é da família, sei que tá comigo pro que der e vier, Inailton, o homem que cativa a todos com quem trabalha. Junto com Iná tem meu grande camarada Zé Rodriguez que também já esteve comigo também em outras empreitadas.

Em uma noite agitada no Rio Vermelho, onde eu e Roberta estávamos passeando sozinhos, ao passar pela porta do Extudo, lá estavam um casal de artistas, Caroline Paternostro e André Cruz, fomos convidados a sentar e durante o bate papo, vi que ali estavam mais dois integrantes deste filme. Carol para ser produtora de Elenco e André para ser o diretor de Arte. Não tenho dúvida alguma de que esta escolha foi totalmente acertada, visto que ambos colaram no projeto de corpo e alma.

Através de André, novos integrantes surgiram, Jú Japa para cuidar do figurino e Sandra Leite para cuidar dos objetos, que são duas pessoas muito bacanas que estão fazendo um ótimo trabalho e se enquadram  perfeitamente no perfil da equipe.

Durante o seminário de Cinema surge o nome do meu brother Mauricio Fontoura para a produção de base, nem hesitei, achei massa, Mau Mau é parceiro da Cavalo e sempre tá colado.

De Uberlândia vem um grande amigo de longa data e de muitas aventuras, Andrigo de Lázaro, um militante do cinema e grande realizador que sempre me apoiou em diversos projetos e não poderia ser diferente neste, fico orgulhoso de tê-lo na equipe.

Como Olho de Boi é um solo muito fértil, todos que estavam envolvidos no processo começaram a receber outras importantes oportunidades de trabalho e alguns guerreiros tiveram de ir viver outras batalhas e ceder espaço para novos integrantes que chegaram com força total para uma substituição à altura. Jamile Fortunato entrou no lugar de Matheus como assistente de direção e Thiago Pilloni substituiu Mauricio na produção. Duas pessoas que estão somando bastante ao processo e que já estão completamente inseridos no universo do curta.

Nos preparamos para a batalha residindo no forte do barbalho onde importantes decisões foram tomadas e os planos e estratégias foram traçados. Para ter sucesso nessa trajetória, buscamos alguns aliados e a produtora Movimento é a nossa maior parceira. Nas pessoas de Zé Carlos, Wagner Angelin e Bruno Rodrigues, a Movimento tem colaborado de forma fundamental e direta para a realização do filme, tornando-se assim co-produtora junto a Cavalo do Cão Filmes. Sejam bem vindos meus amigos e que esta seja apena a primeira de muitas parcerias.

Assim encerro minha primeira reflexão sobre este processo que para mim é totalmente existencial e cumpre um propósito fundamental em minha vida, que é a geração de um proveitoso legado. Logo escreverei mais sobre o filme em si e sobre os personagens.

Haja luz que tá na boa, pode crê e vamos nessa!

Diego Lisboa

Atores Escolhidos

A equipe do curta Olho de Boi recebeu com muita alegria os atores que irão representar os personagens do filme para fechar o contrato e pegar as medidas para que nossa figurinista Juliana Hirata, possa desenvolver suas atividades.

Hirata já entrou em ação com seu trabalho de pesquisa e durante esse processo, tivemos uma “pequena-grande” mudança, pois, descobrimos que a nossa personagem mais lúdica, a gueixa, receberá uma transformação cultural impactante.Para realizar esse papel, Caroline Paternostro, escolheu “a dedo” no Festival de Cultura Japonesa, a atriz Claudia Kiya. A gueixa estará coberta de “elementos mágicos” e será uma espécie de talismã para o personagem  Junca, que será o protagonista do curta Olho de Boi.

Após algumas semanas de avaliação dos testes de elenco, o diretor Diego Lisboa, optou por mesclar atores já bem preparados como Eurico Brás, que acabou de fazer a mine-série da Globo, “O Pai Ó” e contracenou com Mariana Ximenes no longa “Quincas Berro D’agua” com a participação dos atores mirins, que já demonstraram grandes talentos nos testes. Um deles é o Adailson Dias, atuou em “Trampolim do Forte” e será o nosso Junca. Para “persegui-lo” foram escolhidos Elielson Santos e Evaldo Silva que trabalharam em “Capitães da Areia”.

A direção também apostou atores estreantes que nunca participaram de nenhuma produção cinematográfica, e de outros, que o mais perto que chegaram foram como figurantes.

Confiram a lista dos atores escolhidos nesse link: http://curtaolhodeboi.wordpress.com/elenco/

Cinema responsável

Por Tatiana Mendonça

(Publicado na revista Muito)

Em setembro, Diego Lisboa começa as filmagens do curta Olho de Boi, que será rodado no Bate Facho, comunidade próxima ao Imbuí. O filme é financiado pelo Ministério da Cultura – em 2007, ele ganhou o edital para promover curtas infanto-juvenis.

Olho de Boi, que terá duração de 14 minutos, conta a história de um menino que ganha sapatos de uma ONG, mas que para ficar com o presente precisa se livrar da resistência do pai, que não quer ele aceite a “esmola” e de garotos mais velhos, que querem tomar seu sapato.

Diego quer fazer o filme num esquema “bem responsável”. “Já trabalhei em muitos filmes e sei que a chegada das equipes de cinema em comunidades costuma acontecer de uma forma muito inconsequente e desrespeitosa, sem diálogo com a população”. Ele associou-se aos amigos do grupo “Eu e Tu”, que trabalham com educação, psicologia e turismo, para promover esse encontro.

O curta deve ficar pronto em dezembro. Ainda este ano Diego quer finalizar dois documentários:  um que conta a história dos 20 anos do MST na Bahia e outro que fala sobre a greve de fome de D. Luiz Cappio. “Estava gravando com o pessoal do MST no Extremo Sul e quando soube da greve do bispo, aluguei um carro e fui correndo. Fiquei lá filmando, só eu e o produtor”.

Na gaveta tem dois roteiros para ficções: Capoeira, sobre a vida de Mestre Bimba e Mestre Pastinha, e Plug, que conta a história de um jovem estudante de química do Imbuí, onde Diego morava, que cria um produto alucinógeno em casa.

Diego, que já frequentou o curso de cinema e administração hospitalar,  acabou formando-se em rádio e tv. Desde 2006 ele mantém com o irmão, o também cineasta Daniel Lisboa, a produtora Cavalo de Cão. Para conseguir pagar o aluguel da produtora, volta e meia precisa trabalhar com publicidade, mesmo que essa não seja a sua “viagem”. “Quero deixar meu legado, contar para quem vier qual foi minha leitura de mundo enquanto estive aqui”.

Bem Vindos!

Em breve você irá encontrar nesse espaço informações sobre o curta metragem Olho de Boi.

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